A família Bolsonaro vestiu a camisa do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Rodrigo Bacellar (UB). A maior demonstração de alinhamento político foi consumada no dia 10 de junho, durante encontro do ex-presidente Jair Bolsonaro com Bacellar, em Brasília.
Na ocasião, o deputado recebeu das mãos de Bolsonaro a medalha “imbrochável”, condecoração criada pelo ex-presidente para homenagear um seleto grupo de pessoas. Antes do parlamentar fluminense, apenas o jogador Neymar e o empresário Roberto Katsuda receberam.
Na última semana, Bacellar estava novamente em Brasília, desta vez desfilando com o senador Flávio Bolsonaro, ocasião em que foi citado na tribuna pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD). Mas ele já esteve também com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).
Esta aproximação está evoluindo rapidamente para uma aliança no plano regional e nas eleições municipais, inclusive na cidade de Campos dos Goytacazes, onde a Delegada Madeleine, pré-candidata do União Brasil à sucessão municipal, tem apoio de Bacellar. Ela deverá contar com a adesão maciça dos bolsonaristas na cidade.
Já o prefeito Wladimir Garotinho (Progressistas), adversário do grupo de Bacellar na cidade, tenta compensar seu grupo atraindo figurões do PT nacional, como o deputado Lindberg Farias (PT-RJ) e o ex-presidente da Alerj, André Ceciliano.
A família Garotinho tem raízes no PT. O ex-governador Anthony Garotinho, chefe do clã familiar, começou sua carreira política na legenda, disputando um mandato de vereador na cidade de Campos em 1982. Depois migrou para o PDT, quando se elegeu deputado estadual em 1986 e posteriormente prefeito da cidade em 1988.
Na eleição de 1998, quando venceu a disputa para o governo do Estado, derrotando César Maia, teve como vice a então senadora Benedita da Silva (PT), atualmente deputada federal. Para consolidar a chapa Garotinho e Benedita, o então presidente do PT, José Dirceu, chegou a promover uma intervenção do diretório nacional no PT do Rio.