O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Peterson Anderson Simão, votou pela cassação da prefeita Geane Vincler (União Brasil) e de sua vice, Neriete Ramos (Progressistas), por abuso de poder político e coação eleitoral nas eleições municipais de 2024. Ele seguiu o entendimento do juízo de 1a instância, que já havia determinado a condenação. O julgamento é virtual e ainda não terminou, sendo previsto para voltar à pauta nos próximos dias. O espaço está aberto à defesa das citadas.
O voto do desembargador foi considerado “duro” e determinante, divergindo do voto da relatora do processo e alertando para a gravidade das irregularidades apontadas. O julgamento foi suspenso após um pedido de vista, mas caso a maioria dos desembargadores acompanhe o voto do presidente da Corte, os mandatos da prefeita e da vice serão cassados, e o presidente da Câmara Municipal assumirá o Executivo até uma nova eleição suplementar. De acordo com o TRE, ainda faltam quatro desembargadores a externarem seus votos.
Numa eventual decisão pela cassação de mandato eletivo no TRE-RJ, ainda caberá recurso ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas a sentença na Corte regional pode implicar que a prefeita e vice tenham que recorrer fora do cargo.
Enquanto isso, a situação de Geane Vincler se complica também fora do TRE. O Ministério Público Eleitoral instaurou um procedimento preparatório eleitoral para apurar possíveis práticas de abuso de poder político e econômico por parte da prefeita durante a campanha à reeleição.
A 141ª Promotoria Eleitoral, que abrange Italva e Cardoso Moreira, destaca três frentes de investigação:
Coação de secretários municipais: Geane teria exigido que os chefes de pastas usassem suas funções para favorecer sua campanha, o que configuraria uso indevido da máquina pública.
Exploração política da entrega de medicamentos: A prefeita estaria entregando pessoalmente remédios à população, atividade que deveria ser conduzida pela Secretaria Municipal de Saúde, com possível desvio de finalidade para fins eleitorais.
Abuso na entrega de benefícios sociais após enchentes: Geane Vincler também teria usado a situação de calamidade para promover sua imagem, realizando entregas diretas de ajuda humanitária aos atingidos pelas chuvas em vez de seguir os trâmites institucionais.
Caso as denúncias sejam confirmadas, além da cassação dos mandatos, a prefeita e sua vice podem se tornar inelegíveis. Apesar do risco iminente de perda do cargo, Geane Vincler ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que pode estender o impasse jurídico.
O processo, que mobiliza lideranças locais e estaduais, é acompanhado de perto por eleitores e adversários políticos, com impacto direto no cenário pré-eleitoral de 2026.