Uma nova pesquisa de intenção de voto para o governo do Rio de Janeiro indica um cenário político em plena reconfiguração para 2026. Embora o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ainda lidere com base em seu alto nível de reconhecimento, o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), consolidou-se como o nome mais competitivo do campo da centro-direita para desafiá-lo.
A pesquisa, conduzida pela Arrow Pesquisa de Mercado e divulgada pelo jornal Correio da Manhã, ouviu 3.090 eleitores em todo o estado entre 29 de setembro e 3 de outubro. Com uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais, o levantamento revela que Bacellar, embora menos conhecido, já demonstra uma força considerável, especialmente fora do círculo da capital.
No cenário geral, Bacellar alcança 12,31% das intenções de voto, com picos de popularidade em áreas densamente povoadas da Zona Oeste do Rio, como Grande Bangu (17,9%) e Grande Santa Cruz (18,7%). Sua influência também se estende pelo interior, onde atinge 21,3% no Norte Fluminense e 16,8% no Noroeste, sugerindo uma capilaridade regional que pode ser decisiva. Esses números o colocam com o dobro das intenções de voto de outros possíveis adversários, como Washington Reis.
A situação de Eduardo Paes ecoa sua campanha de 2018, quando, apesar de liderar as pesquisas iniciais, foi derrotado por Wilson Witzel, um candidato até então pouco conhecido que soube capitalizar a onda bolsonarista. A análise sugere que a alta taxa de conhecimento de Paes, fruto de mandatos anteriores e da recente reeleição, garante sua liderança atual, mas sua baixa penetração no interior do estado, Baixada Fluminense e grandes colégios eleitorais, como São Gonçalo, representa uma vulnerabilidade estratégica.
O tabuleiro político é ainda mais complexo pela influência da disputa presidencial. A pesquisa testou cenários para 2026 e apontou Michelle Bolsonaro como a candidata mais competitiva da oposição no estado. Com 31,10% das intenções de voto contra o ex-presidente Lula, ela não apenas mobiliza uma base sólida, mas também reduz drasticamente o número de eleitores indecisos. Sua força é notável tanto na capital quanto em regiões do interior, indicando que a nacionalização do debate será um fator inescapável na eleição para governador.
Este quadro heterogêneo sugere uma disputa em duas frentes: de um lado, a batalha pela capital e, de outro, a conquista do interior. Enquanto Paes aposta em sua popularidade na metrópole, Bacellar constrói uma base sólida nos bolsões da Zona Oeste e em áreas com forte identidade regional, desenhando os contornos de uma eleição que promete ser tudo, menos previsível.