Polícia Federal e Gaeco do MPRJ descobrem intensa troca de mensagens entre o político e o miliciano, após extração de dados de celular de chefe de grupo paramilitar de Santa Cruz
A Polícia Federal apura ligação entre o miliciano Vitor Eduardo Cordeiro Duarte, o Pardal ou Tabinha, apontado com um dos chefes do bando de Luis Antonio da Silva Braga, o Zinho, e o ex-vereador Marcello Siciliano. Segundo a PF e o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ), Vitor atua no fornecimento de armas e munição para o grupo. Durante a Operação Dinastia, desencadeada em 25 de agosto de 2022, os agentes apreenderam o celular de Vitor e encontraram dezenas de trocas de mensagens entre o miliciano e o político.
No pedido do Gaeco pela quebra do sigilo de dados telemáticos feito à 1ª Vara Especializada no Combate ao Crime Organizado, a partir das investigações da PF, Vitor é descrito “como importante homem do grupo, responsável, dentre outras funções, pelo fornecimento de armas e munições à malta”. O paramilitar foi um dos presos na Dinastia, em que foram expedidos 23 mandados contra o bando de Zinho.
Por meio de análise do celular de Vitor, os investigadores tiveram a atenção voltada para um interlocutor identificado como “irmão”, com quem o miliciano trocava mensagens com grande frequência. Ao pesquisarem o número, após envio de ofícios às operadoras de telefonia, os agentes do Grupo Especial de Investigações Sensíveis (Gise) da PF do Rio descobriram que o aparelho era do ex-vereador Siciliano. No período em que as conversas foram registradas, o político e empresário, em 2021e 2022, ele concorria ao cargo de deputado federal.
Nas mensagens, uma das conversas extraídas entre Vitor e Siciliano se referia a realização de um bingo do Dia dos Pais, num reduto da milícia, em Santa Cruz, em 14 de agosto de 2022. No dia marcado, o político comentou que era o seu aniversário, o que o impedia de ir. Segundo os investigadores, “pela forma de tratamento mútuo”, haveria “grande amizade e intimidade” entre ambos.
Segundo o documento do Gaeco, baseado nas investigações da PF, Siciliano chegou a enviar um convite ao miliciano, o convidando para sua festa de aniversário. Vitor repassou um recado de Zinho desejando feliz aniversário e completou: “Obrigado por tudo. Te amamos”. A festa do ex-vereador foi no Rio Beach Club, na Barra da Tijuca.
Em outra conversa, segundo a PF, Siciliano envia a Vitor notícias de uma ocorrência policial do dia 31 de julho do mesmo ano envolvendo policiais e milicianos do grupo de Danilo Dias Lima, o Tandera, rival de Zinho. O ex-vereador repassa, por mensagem, uma notícia de jornal sobre três mortes e a apreensão de armas e munição do bando inimigo.
Ainda como demonstração da relação entre Vitor e Siciliano, conta nas investigações, que o político envia ao miliciano fotos de uma prensa imprimindo seu material de propaganda eleitoral, em 16 de agosto de 2022. Em outro diálogo, Vitor ainda agradece a recolocação de um poste numa comunidade dos milicianos, não identificada no documento do Gaeco. O estão candidato, por sua vez, afirma que entregou o dinheiro para um integrante do bando de Zinho.
Faz parte ainda da investigação a suspeita de que Zinho seleciona policiais militares para trabalhar no 27ºBPM (Santa Cruz). Para isso, ele contaria com o “auxílio imprescindível” de Siciliano. O pedido do chefe da milícia para o então candidato é que três PMs atuem no setor de inteligência (P2) da unidade. A corporação negou que os PMs tenham sido transferidos para o quartel de Santa Cruz.
Fonte: Extra