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Polícia investiga fraude em concurso público da Alerj após candidato ser flagrado com ponto eletrônico

A Polícia Civil investiga uma fraude no concurso público da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) após um candidato ser flagrado utilizando equipamentos eletrônicos durante a realização da prova. Alexandre Campos Oliveira foi preso no dia 8 de fevereiro, nas dependências da Unisuam, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, durante a aplicação do exame organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo a investigação, outra candidata percebeu que o homem utilizava um celular para tentar tirar fotos da prova e informou o fato aos fiscais. Durante a abordagem, também foram encontrados um ponto eletrônico e óculos adaptados com um chip que, de acordo com a polícia, também poderiam ser utilizados para fazer imagens.

Ainda segundo a polícia, Alexandre tentou rasgar um papel que continha informações sobre como os equipamentos deveriam ser manipulados. Ele também teria tentado engolir um saco plástico que estava na sala e continha o ponto eletrônico.

O candidato chegou a ser solto dois dias depois, durante audiência de custódia. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva, sob o argumento de que a liberdade poderia colocar em risco a instrução do processo. A Justiça acolheu o pedido, e Alexandre voltou a ser preso em 15 de setembro, em uma ação da 11ª Delegacia de Polícia.

Ele foi denunciado por fraude em concurso de interesse público, crime cuja pena prevista varia de um a quatro anos de prisão.

De acordo com o delegado Mário Albert, responsável pela investigação, a polícia também aguarda o resultado da perícia realizada no celular apreendido com o candidato para tentar identificar a dimensão do esquema e verificar se havia outras pessoas envolvidas.

MP apura possível favorecimento a candidata que já era servidora comissionada da Alerj

Além da investigação envolvendo Alexandre, o concurso da Alerj é alvo de uma segunda frente de apuração. Em 23 de julho, o Ministério Público do Rio começou a investigar uma denúncia de possível favorecimento a uma candidata que teria tido acesso a informações privilegiadas do certame.

Segundo a apuração, a candidata já trabalhava na Alerj como chefe de gabinete do diretor-geral da Casa e concorreu ao cargo de procurador legislativo, que tem remuneração inicial de aproximadamente R$ 46 mil.

O MPRJ enviou ofícios à FGV e à própria Alerj para cobrar esclarecimentos sobre o caso. A Assembleia informou ao Ministério Público todas as informações solicitadas, mas não comentou o conteúdo da investigação porque o procedimento está sob sigilo.

A Alerj também afirmou que a servidora foi exonerada em março deste ano.

O que diz a Alerj

A Assembleia Legislativa enviou uma nota oficial sobre o caso. Eis a íntegra:

“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já apresentou todas as informações solicitadas pelo Ministério Público, mas não comentará sobre o caso, pois o procedimento mencionado encontra-se sob sigilo. A servidora mencionada foi exonerada em março deste ano.”

Redação

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